Os funcionários da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Oeste de Sorocaba começaram a receber, nesta sexta-feira (23), os salários atrasados referentes ao mês de maio. A quitação dos valores acontece em meio a uma transição de gestão marcada por pressão política e denúncias de corrupção envolvendo a atual administradora, a Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), antiga Aceni, alvo de investigações da Polícia Federal.
A partir deste domingo (25), a responsabilidade pela unidade passa para o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), após aprovação do convênio pela Câmara Municipal no final de abril. O projeto, de autoria do Executivo, foi impulsionado por cobranças públicas feitas por movimentos ligados à saúde pública, entidades sindicais e o vereador Raul Marcelo (PSOL), que tem denunciado as irregularidades da atual gestora.
Sindicato garantiu pagamento judicial dos salários
Segundo o Sindicato da Saúde (Sinsaúde) de Sorocaba e Região, os salários, que deveriam ter sido pagos no dia 7 de maio, começaram a ser depositados após o sindicato acionar a Justiça, solicitando que os valores fossem transferidos para uma conta judicial. O vice-presidente Pablo Pistila informou que os repasses estão sendo feitos manualmente e, se necessário, continuarão no sábado (24).
A medida evitou uma paralisação dos serviços, que chegou a ser cogitada no início do mês, e mobilizou representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Secretaria da Saúde de Sorocaba, que atuaram para garantir os direitos dos trabalhadores.
Troca de gestão teve atuação direta de Raul Marcelo e aliados
A transição para o BOS ocorre em um momento delicado, após a deflagração da Operação Copia e Cola, que apura desvios de mais de R$ 123 milhões em contratos entre a Prefeitura de Sorocaba e a antiga Aceni (atual Iase). O caso envolve a gestão do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) e resultou em buscas e apreensões tanto na Prefeitura quanto na residência do chefe do Executivo, onde foi encontrado R$ 1,7 milhão em espécie, incluindo quase R$ 900 mil com familiares do prefeito.
O vereador Raul Marcelo, um dos principais articuladores da denúncia, comunicou oficialmente à Polícia Federal que a entidade investigada seguia operando na cidade, mesmo após decisão judicial que a proibia de firmar novos contratos com o poder público. Ele solicitou que a PF pedisse à Justiça a rescisão imediata do contrato com a Iase.
“A manutenção de uma entidade investigada por corrupção à frente da saúde pública é uma afronta à moralidade administrativa”, declarou o parlamentar, que vem cobrando medidas desde 2021, quando o Tribunal de Contas do Estado já havia apontado irregularidades nos contratos emergenciais com a Aceni.
Prefeitura reconhece importância da experiência dos antigos funcionários
Segundo a Prefeitura de Sorocaba, o BOS já iniciou os processos de seleção para compor as equipes que atuarão na unidade e há possibilidade de reaproveitamento dos colaboradores atuais, considerando a experiência e o conhecimento sobre a rotina da UPH Oeste.
O Executivo garantiu que não haverá interrupção nos serviços, e afirmou que a nova gestão visa promover melhorias na assistência prestada à população, com mais eficiência e controle.


