A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras, foi adquirida pela mineradora norte-americana USA Rare Earth em uma negociação de aproximadamente 2,8 bilhões de dólares. A compra foi anunciada nesta segunda-feira, dia 20 de abril, pelas duas companhias e deve criar a maior empresa global do setor fora da Ásia.
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu, no estado de Goiás, a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024. A empresa é também a única produtora, fora da Ásia, das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas: disprósio, térbio, ítrio e uma quarta de alta relevância. Atualmente, mais de noventa por cento da extração de terras raras mundiais são realizadas na China.
Os materiais extraídos são usados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de aplicações nos setores de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial. A dependência global da produção chinesa tem sido apontada como um risco estratégico por governos ocidentais.
A produção em Goiás está atualmente na Fase I e ainda é considerada modesta, mas a expectativa é dobrar até 2030. Segundo comunicado da Serra Verde, a combinação das operações com a empresa norte-americana permitirá a criação da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia.
A empresa brasileira informou em nota ao mercado que se juntará ao grupo norte-americano, criando uma empresa multinacional líder em terras raras com oito operações no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.
O contrato de aquisição prevê um acordo de fornecimento de quinze anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico, capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e por fontes de capital privado. A estrutura receberá cem por cento da produção da Fase I da Serra Verde com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.
A empresa compradora afirmou em nota que o acordo de fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso.
O mercado recebeu bem o anúncio. Por volta das quinze horas e trinta minutos, as ações da empresa compradora na Nasdaq registravam alta superior a oito por cento. A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, com dois de seus executivos incorporados à diretoria da empresa norte-americana.
O presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração afirmou que esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras.
A aquisição ocorre em um contexto de disputa geopolítica envolvendo terras raras. Em vários discursos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem abordado a questão e criticado a dependência mundial da produção chinesa, o que tem gerado divergências com Pequim. A compra da Serra Verde representa um movimento estratégico dos Estados Unidos para reduzir essa dependência e fortalecer sua cadeia de suprimentos de minerais críticos.



